Unidos de Vila Maria forma primeiras turmas de profissionais para o carnaval

São 120 novos profissionais de decoração, estamparia e percussão/cavaco, áreas dos primeiros cursos oferecidos pela escola de samba. Há vagas para novas turmas e outros cursos – entre eles, costura, cenografia, confecção de instrumentos de percussão, chapelaria, escultura, marcenaria e serralheria

EMPREGO é uma das principais necessidades da população brasileira – e qualificação profissional, a maior exigência do mercado. Consciente dessa realidade, a Unidos de Vila Maria vem oferecendo uma série de cursos profissionais gratuitos à comunidade, ajudando a formar mão de obra qualificada para o mercado de trabalho. E muitos desses novos profissionais podem ser absorvidos pela própria escola, já que os cursos fazem parte do Plano Setorial de Qualificação (Planseq) dos Trabalhadores para a Indústria do Carnaval, do Ministério do Emprego e Trabalho.

A Unidos de Vila Maria é a única entidade selecionada pelo ministério para oferecer os cursos do Planseq em São Paulo – o plano também contempla Santa Catarina, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Maranhão. A escola vai capacitar três mil trabalhadores ao longo de todo o ano, e no próximo dia 15 de junho a primeira turma de formandos será apresentada: são 120 jovens e adultos capacitados em decoração, estamparia e percussão e cavaco, os três primeiros cursos oferecidos. Há, ainda, aulas de costura, cenografia, confecção de instrumentos de percussão, chapelaria, escultura, marcenaria e serralheria (veja mais aqui).

Para o carnavalesco da Unidos de Vila Maria, Fábio Borges, a primeira etapa do Planseq em São Paulo deu provas de que a população está interessada em qualificação profissional. “Muitos dos participantes das primeiras turmas já se inscreveram em outros cursos, em busca de uma formação interdisciplinar e satisfeitos com a qualidade das aulas”, comemora. Formação em que a própria escola de samba está de olho. “O mercado de trabalho do carnaval tem um potencial de expansão enorme em São Paulo, porque grande parte da mão de obra ainda é trazida de outras regiões do país. Com essa qualificação, vamos gerar oportunidades factíveis à população local. Tenho acompanhado o desenvolvimento de muitos alunos que, certamente, eu gostaria que trabalhassem comigo no carnaval.” Entre os trabalhos mais valorizados pelo mercado do carnaval, revela Borges, está o de escultor, e há 600 vagas abertas para o curso da área.

Segundo o presidente da Unidos de Vila Maria e da Liga das Escolas de Samba de São Paulo, Paulo Sérgio Ferreira, cada escola emprega, direta e indiretamente, cerca de 300 pessoas, a grande maioria trabalhando nos bastidores do carnaval, ao longo de todo o ano. “Antigamente era possível montar 16 escolas na concentração do Anhembi. Hoje, com mais investimentos, mais componentes e carros, não se consegue colocar oito escolas ali”, diz Serginho, como é conhecido na Vila Maria, dando ideia da dimensão que o carnaval paulistano tomou. Para toda essa estrutura funcionar devidamente, a Unidos de Vila Maria contou com a colaboração de 15 profissionais de Parintins, que trabalham na festa do boi bumbá amazonense, e outros 15 do carnaval carioca.

As aulas do Planseq têm duração de 200 horas, divididas entre teóricas e práticas, e são ministradas na quadra da Unidos de Vila Maria (R. Cabo João Monteiro da Rocha, 448, Jardim Japão) e em espaços de parceiros. Além da aprendizagem técnica, os cursos contemplam noções de cidadania, empreendedorismo e sustentabilidade, entre outras. As inscrições podem ser feitas no site da escola (www.unidosdevilamaria.com.br), e mais informações podem ser obtidas através do telefone (11) 2939.2067.